sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A Gulla e os Quase 30!

A Gulla tem dessas coisas, numa quinta-feira, depois da meia-noite, passar numa lojinha de conveniência para comprar leite para o dia seguinte e para a fome momentânea, um croissant e um suquito de laranja, enquanto a rapaziada se deleitava com suquitos de cevada estúpidamente gelados.
Ao chegar em casa com o croissant, o suco e sentar no mesmo lugar... dar aquela confirida ao redor, a tv continua em stand by, a cortina está entre-aberta, tudo meio igual a sempre, as provas esperando correção e dia seguinte ... o despertador vai tocar cedo.
Eis que então, você lembra da vodka cremosa de tão gelada, inscrustrada no gelo do freezer, que há algum tempo ninguém abre a garrafa!
Estar quase nos 30 anos, tem dessas coisas! Os churrascos passam a ter carne e não apenas cerveja... nesses mesmos churrascos começam a aparecer uns pimpolhos... para sair de casa, um segundo pensamente surge com uma certa frequência... e contravenção passa a ser encher um copo de vodka com o suco de laranja e mandar ver no meio da semana, faltando apenas 5 horas e 37 minutos para você levantar!
Agora, transgressão da ordem mesmo, só se você tiver peito para desligar o despertador antes de deitar gostosinho, embalado pela vodkta! Quero ver se tem coragem!
Balzacquianos do mundo todo, uni-vos!!!
( a Gulla tem link logo aí do lado e ao caro colega peço licença em dar pitaco em sua sede!)

Da Sacada do 9º Andar...

do 9º andar... ninguém precisa de foco...
tudo está logo ali... inclusive ela... gigantesca.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Outras Tantas Possibilidades...


se você não tivesse nascido de seus pais... de outro casal...
se não tivesse conhecido sua melhor amiga aos 6 anos de idade...
se não tivesse assistido Jacques Cousteau na tv cultura...
se não tivesse aprendido a pintar a óleo e a detestar esta tinta de secagem demorada...
se nãotivesse sido atropelada por uma bicicleta...
se não tivesse subido na Candoca...
se não tivesse conhecido o primeiro menino de cabelo comprido...
se não tivesse se apaixonado por ele e depois pelo amigo dele...
se não tivesse tido tanta dificuldade em química e física...
se sua irmã ainda estivesse aqui...
se não tivesse conhecido o carinha super metido do 3º colegial...
se vocês não tivessem passados juntos na facul de história...
se até hoje ele não fosse seu amigo e ótimo cozinheiro...
se você não tivesse conhecido o rapaz que fez primeiro ano de história...
se até hoje vocês não tivessem qualquer coisa que não tem nome certo...
se você não tivesse conhecido a "turminha"...
se vocês não tivessem ido para Floripa mostrar "las barriguitas"...
se você não tivesse se formado em história...
se não tivesse aceitado o desafio de pegar as aulas de geografia...
se você não tivesse feito geografia...
se não tivesse reencontrado o garato do Nosso Recanto...
se vocês não tivessem namorado 4 anos e meio...
se não tivesse ido no Ali aquela noite que conheceu outra grande amiga...
se não tivesse perguntado o nome do dono da voz estrondosa...
se você não se emocionasse com Ipês Amarelos floridos...
se não tivesse atravessado o Atlântico para reencontrar seu amor...
se vocês não tivessem terminado...
se você não tivesse ido ao Peru sozinha para esquecer...
Quem você seria?!

Entre Lá e Cá

“Muitos dos pretos, ao voltarem
libertos para a África com costumes
brasileiros, fizeram lá uma espécie de
Brasil, assim como se formou
aqui uma espécie de África.”
Pierre Fatumbi Verger


"Capirrrinha", "sâmba", "feidioada" tudo dito com o sotoque mais carregado de qualquer estrangeiro... pode até ser, mas o que de fato encantou Verger foram manifestações culturais, palavras que este francês aprenderia mais tarde, do convívio com a população local de Salvador.
Estamos falando de um latino europeu, que na década de 40 aportou no Brasil junto com sua máquina fotográfica, companheira que estivera presente nas viagens pelas ilhas do Pacífico, EUA, Japão, China, Sudão, Togo, Benin, Níger, Saara, Caribe, México, Guatemala, Equador, Peru, Bolívia, Argentina... e mais um tantão de lugares que a sola caminhou.
Numa época em que viajar não significava parcelar o valor em 10 vezes no cartão, muito menos informações prévias e reservas via internet ou blógues de mochileiros.
Quem já esteve na Bahia pode imaginar um pouquinho do que Pierre Verger sentiu ao atracar na cidade baixa. A luz intensa, o mar esverdiado, a gente de sorriso largo, por mais que as testas suassem pelo trabalho pesado. O ritmo presente no caminhar, no gingar de roupas brancas, na comida temperada a lá orixás africanos e neste ponto, que os olhos se prenderam e a mente se perdeu.
O Candomblé, os fitilhos, as flores de oferendas, as miçangas multicoloridas das guias de proteção, os dias de festa, os banquetes sagrados cozidos à óleo de dendê, os toques dos tambores iorubás e nagôs, o transe e a manifestação sobrenatural. É Iemanjá, Oxum, Xangô, é também, Oxóssi, Ogum, Exu é a total dualidade, o bem e o mal. A alma e a fonte de vitalidade do baiano, segundo Verger.
A admiração foi tanta, que de observador-fotógrafo, o francês transformou-se em etnólogo-babalaô, deixou para trás o velho viajador europeu Pierre Verger para ser o novo Pierre Fatumbi Verger, com este nome do meio transfigurou-se em "mensageiro de dois mundos".
Assim foram cerca de 30 anos cruzando o Atlântico entre o Brasil e a África, a busca pelas origens culturais baianas do candomblé, a montagem de um quebra-cabeça dividido pela escravidão. As peças foram reinventadas pela vida no novo mundo e as fotografias de Verger reconstituíram o quase todo.
As semelhanças são gritantes e por suas fotos chega-se a ficar confuso, aqui ou lá?
Talvez o aqui jamais viria a ser o que é, se não fosse o lá. O outro lado do Atlântico também conheceu o que é aqui, por meio daqueles que conseguiram voltar... quem sabe, com uma parte do peito também ficando à oeste!

domingo, 26 de agosto de 2007

Leitor de Jornal Único em Si

"a disposição do temperamento do indivíduo,
que faça que ele sinta de um modo peculiar
a influência de diversos agentes; maneira
de ver, de sentir, reagir, própria,
especial de cada indivíduo."
BUENO

É simplesmente o que faz alguém ser único... único em si... único para cada um que os verá por meio de suas próprias especificidades...
É por exemplo alguém que se gaba de saber o nome do presidente do Irã, uma forma de contar vantagens sobre aqueles que não o sabem, sem nem ao menos conseguir dizer qual a relevância em tal conhecimento, quando o que importa mesmo, é saber toda a polêmica nuclear que envolve este país fundamentalista, mesmo que o presidente do Irã (que eu não sei o nome), não seja um aiatolá.
Mas saber o nome do presidente do Irã revela a pessoa por trás do saber (ou melhor, da informação de Almanaque Abril!). Aos olhos de quem não sabe responder o nome do presidente, parece num primeiro momento, um provocador que decora os detalhes do jornal para espizinhar os colegas na mesa do bar.
Uma pessoa assim também deve ser capaz de na sequência perguntar se você consegue, de cabeça, dividir 3 bilhões por 12! Em sua conta maluca, o espezinhador julgou que 3 bilhões seriam os ocidentais que seguem o horóscopo zoodíaco, 12 o número de signos e assim, ele pretende dizer a você, que acredita em horóscopo lógico, que é impossível que tantas pessoas (que seria o resultado da conta, que eu também não sei fazer!) do mesmo signo tenham o mesmo comportamento simplesmente porque nasceram no mesmo dia!
Num segundo momento, se você for capaz de esquecer a chatiação do perguntador, poderá perceber que trata-se de uma pessoa muito culta, quem sabe, mas que não faz muita idéia do que fazer com o seu saber! Alguém assim deve ter muito o que dizer, deve ser extremamente interessante, além do óbvio, abastecer a conversa da mesa de bar!
Uma pessoa com tais características, deve também ter um blog com um nome estapafúrdio, que você não vai saber o significado. Isso deve ter sido proposital, pois faz parte de suas especificidades, afinal ele irá cutucar muito mais pessoas que na mesa do bar!!!! Mesmo assim, você ainda se sentirá instigado para saber o que tal indivíduo tem a dizer e como disse anteriormente, ele tem muito a dizer!
Agora, tudo vai depender de suas idiossincrasias para sentir de um modo peculiar as influências que este ser vai lhe causar com as suas particularidades e aí que entra a doidera: alguns irão dar de ombros, outros irão torcer as pestanas, mas dúvido que alguém ficará indiferente.
E se for de sua característica ser alguém impulsivo e ansioso não vai esperá-lo decidir vir tomar uma cerveja com você, vai simplesmente sequestrá-lo!!! Mas aí, já uma é uma outra maluquice de alguém, também único em si!