libertos para a África com costumes
brasileiros, fizeram lá uma espécie de
Brasil, assim como se formou
Brasil, assim como se formou
aqui uma espécie de África.”
Pierre Fatumbi Verger
Pierre Fatumbi Verger
"Capirrrinha", "sâmba", "feidioada" tudo dito com o sotoque mais carregado de qualquer estrangeiro... pode até ser, mas o que de fato encantou Verger foram manifestações culturais, palavras que este francês aprenderia mais tarde, do convívio com a população local de Salvador.
Estamos falando de um latino europeu, que na década de 40 aportou no Brasil junto com sua máquina fotográfica, companheira que estivera presente nas viagens pelas ilhas do Pacífico, EUA, Japão, China, Sudão, Togo, Benin, Níger, Saara, Caribe, México, Guatemala, Equador, Peru, Bolívia, Argentina... e mais um tantão de lugares que a sola caminhou.
Numa época em que viajar não significava parcelar o valor em 10 vezes no cartão, muito menos informações prévias e reservas via internet ou blógues de mochileiros.
Quem já esteve na Bahia pode imaginar um pouquinho do que Pierre Verger sentiu ao atracar na cidade baixa. A luz intensa, o mar esverdiado, a gente de sorriso largo, por mais que as testas suassem pelo trabalho pesado. O ritmo presente no caminhar, no gingar de roupas brancas, na comida temperada a lá orixás africanos e neste ponto, que os olhos se prenderam e a mente se perdeu.
O Candomblé, os fitilhos, as flores de oferendas, as miçangas multicoloridas das guias de proteção, os dias de festa, os banquetes sagrados cozidos à óleo de dendê, os toques dos tambores iorubás e nagôs, o transe e a manifestação sobrenatural. É Iemanjá, Oxum, Xangô, é também, Oxóssi, Ogum, Exu é a total dualidade, o bem e o mal. A alma e a fonte de vitalidade do baiano, segundo Verger.
A admiração foi tanta, que de observador-fotógrafo, o francês transformou-se em etnólogo-babalaô, deixou para trás o velho viajador europeu Pierre Verger para ser o novo Pierre Fatumbi Verger, com este nome do meio transfigurou-se em "mensageiro de dois mundos".
Assim foram cerca de 30 anos cruzando o Atlântico entre o Brasil e a África, a busca pelas origens culturais baianas do candomblé, a montagem de um quebra-cabeça dividido pela escravidão. As peças foram reinventadas pela vida no novo mundo e as fotografias de Verger reconstituíram o quase todo.
As semelhanças são gritantes e por suas fotos chega-se a ficar confuso, aqui ou lá?
Talvez o aqui jamais viria a ser o que é, se não fosse o lá. O outro lado do Atlântico também conheceu o que é aqui, por meio daqueles que conseguiram voltar... quem sabe, com uma parte do peito também ficando à oeste!

2 comentários:
Com certeza o que está aqui não seria o mesmo sem o que está lá Ju!
(D) (Em)
Afinal somos todos irmãos, lá-lá-lá-lá-lá-lá.
Eu e eu, uma só nação, nossa terra:
(C) (C) (Em)
África, mãe de toda criação.
(D)
Nossa terra, nossa mãe: África, mãe de toda a geração.
Eu tava tocando essa música um pouco antes de você me falar do texto!
Continue com os textos Ju!
Beijos
Bom texto. O que eu lamento muito é que hoje em dia as populações, as nações, os continentes enfim que são África e Brasil estejam tão distantes no plano político e cultural, de modo que nada sabemos nem fazemos uns pelos outros.
Quanto à forma, acho que você podia tomar um pouco de cuidado com as enumrações para não deixar o texto um pouco cansativo.
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