domingo, 23 de setembro de 2007

Equinócios e Cigarras

O movimento aparente do sol, aquele em que temos a sensação de que ele roda ao redor da Terra e não o contrário... sensação esta exclusivamente ocasionada por nossa posição em solo firme e também por uma certa pretensão antropocêntrica.
Muitas civilizações antigas mapeavam este movimento e o associavam a fatos cotidianos como períodos de plantio, de colheita, de fartura... celebravam as mudanças de estações... muitas são as construções que de alguma forma se alinhavam com o sol em certas épocas do ano, como as que hoje chamamos de Equinócios e Solstícios!
E hoje, o sol mais uma vez se alinhou com a linha do Equador, o que significa que o dia e a noite terão a mesma duração... mas nas bandas sul de cá, com o passar dos dias teremos mais horas de luz!!! O horário de verão, que divide opiniões!
Sim, é a Primavera que chegou, num dia de muito calor e que anuncia um Verão de muito "ão" mesmo...
Particularmente, este final de setembro sempre me trouxe uma alegria extra, não sei bem se porque trata-se do trimestre final, momento que nos encaminhamos para balanços e conclusões, ou se porque é o anúncio de meu aniversário juntamente com as férias!!!
O engraçado é que esta época do ano só se faz alegre mesmo, depois de encontrar dois insetos muito carcterísticos e que comprovam a chegada de tal momento: as cigarras e os besouros!
As cigarras que eclodem da terra e parecem explodir de tanto cantar, um verdadeiro concerto em homenagem ás flores... quando era pequena minha curtição era pegar as casquinhas dos bichinhos e usar de broches!!! E o auge da molecagem masculina era esperar as meninas gritarem deseperadas ao abrirem o estojo e encontrarem uma pobre cigarra alucinada para sair... tinham aquelas que encontravam sorte pior, os meninos amarravam cordinhas em suas perninhas como uma coleira, muitas terminavam amputadas! Assistir à aula era quase inaudível de tanta cantoria, mas isto porque estudei numa escola disfarçada de bosque... oh saudade danada!
Já a chegada dos besourinhos dava-se pelo final de outubro, estes anunciavam meu aniversário e quando chegava a festa... lá estavam os penetras, os pequenos marronzinhos, que numa atitude kamikase se jogavam na cobertura do bolo, nos copos de refrigerente, confundiam-se com os salgadinhos e não davam sossego à ninguém, sempre tinha um, ou melhor uma, a sarocotear o cabelo ou a blusa para tirar o atrevido!!!!
Este ano, a primavera chegou e ainda não ouvi nenhuma cigarra, se bem que hoje ainda é o primeiro dia da estação; estou ansiosa, visto que em meu incosciente é o som que coloca tudo em seu lugar, é a música dos ciclos, das voltas que a vida dá e que liga o hoje à infância, de pés encardidos descalços e preocupação era apenas torcer para que não chovesse na festinha... o que aliás sempre acontecia!!!!


5 comentários:

paulo disse...

Hahahahahahaha, ai Ju, você me faz flutuar na imaginação...
Lembrei de quando eu era pequenininho e brincava com os besouros na casa da minha vó ou no parquinho arborizado da esquinha... A saudade é imensa...
É sensação da escola essas cigarras... Em um dia, a noite, fui a uma festa de criança sabe? Boate, isso, aquilo, doces, bolos... Mas não era um dia muuuuuito legal porque eu estava antipático (sempre tem esses dias que a gente não quer falar com ninguém e sóó pensar no que vai acontecer, no que aconteceu). Lá eu fiquei sentado num pedaço de madeira deitado no chão pensando na morte da bezerra
(...) Velhos tempos...
BeijOoOoooOsSsSsSs!

Anônimo disse...

Com chuva ou sem chuva, me chama que vou na festinha!

Adorei o domingo! Agradar vocês, de qualquer maneira, me deixa muito feliz!!!

Anônimo disse...

Sempre chove. Mas é da chuva e do seu sol que os tais ciclos se renovam. Mas sempre chove, até quando Ribeirão Preto e Araraquara estão a mais de cinquenta dias sem uma gota de chuva. E não há infância e alegria de setembro que faça esquecer que sempre chove. E este comentário é mais para o poste anterior do que propriamente para este.

xandelex disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
xandelex disse...

E que bosque foi aquele...aliás, que infância foi aquela, "tão linda, que continua em mim ainda". Sabe que todas essas molecagens descritas não foram diferentes nas gerações seguintes (a minha, inclusive)...é como se todos que passaram por lá tivessem vivido em um mesmo tempo! Obrigado pelas lembranças Ju, e que as cigarras (que parecem mais raras em Curitiba) e os besouros continuem nos reavivando as boas lembranças e a imaginação.
Beijosssssss!!