quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Lacônicos de Ocasião.

Existem pessoas que importam-se muito com as palavras, são aquelas que medem e escolhem à dedo o vocábulo... que escrever é muito mais que uma construção gramatical, é toda a escultura de um texto, que será moldado e modificado pelo menos umas 5 vezes e mesmo depois de pronto ainda acham o que reescrever...
Estes indivíduos possuem um vocabulário gigantesco, uma agilidade e artimanha ao escrever, mas que em alguns casos exigirá de seus leitores a presença do dicionário, o que é realmente enriquecedor... sabem por exemplo utilizar "palrar" com a maior naturalidade, não é o simples falar muito, mas o como falar... estes também preferem usar "hipocorístico" ao corriqueiro apelido e ainda gostam mais dos nomes inteiros que dos carinhosos diminutivos.
Para pessoas assim, em que as palavras e os textos são tão significativos, a ausência deles deve denotar a maior das agressões e a pior das ofensas! Fazem-se lacônicos de ocasião... não seremos presenteados com suas palavras, nos deixam à espera e na ânsia relemos tudo o que já foi escrita, na tentativa de achar pelo menos uma palavrinha nova!
Estes lacônicos de ocasião não poderiam ser mais prolixos em seu recado.
E eu já entendi!

Um comentário:

Anônimo disse...

Juliana, a idéia e excelente. E embora eu não a saiba aplicar a ninguém de carne e osso, sou obrigado a concordar consigo. Aliás, feliz a criação "lacônicos de ocasião".

Ledos enganos:
a) a releitura é muito mais do que cinco apenas vezes;
b) nem sempre a utilização da palavra é feita com naturalidade, ou ainda, como você mesmo o diz, é fruto de toda uma "escultura do texto";
c)a ausência da palavra pra quem não vive sem ela antes de denotar a "maior das agressões" pode ser a angustiamente percepção de que não se tem nada a dizer. E isso é tão grandemente dolorido para estas pessos que antes a eles o laconismo e a opinião mais ainda prolixamente dizem o que deveria ser dito.