sábado, 15 de setembro de 2007

Sou Todas as Batidas

A África bate dentro de mim... meu coração é de tambor...
Tenho a pele clara, não sei cantar e bater palmas ao mesmo tempo, o samba fica a desejar e os atributos são bem inferiores a de qualquer mulata que se preze...
Mas pode tocar uma ciranda, uma congada e principalmente um maracatu, que me transformo em ginga e oferendas... rodopios e quebradas de costas... de olhos fechados e sorriso nos lábios me entrego aos toques ritmados... me sinto feliz e inteira... danço com quem estiver do lado, de mãos dadas em roda ou no cumprimento de ombros, e participo da energia envolvente das percussões de todos gêneros... sou todas as batidas...
A saia aparece, os pés pisam o terreiro, as contas balançam de um lado para outro, o cabelo esvoaça, as cores explodem, as chinelas arrastam... as ladainhas de liberdade, as de saudade, as de evocação da força que emanam do universo...
Transpiro por todos os poros, a purificação do corpo, que pulsa bumbos... ao dançar simplesmente sou... sou o aqui e sou o lá... cruzo todo o Atlântico... sou a guerra contra mim mesma, danço e expulso de mim toda a dor a e ausência, me preencho de música, me preencho de vibrações, me encho de tudo isso que faz o peito enorme, me liberto por inteira...

2 comentários:

Anônimo disse...

Discordo absolutamente sobre os atributos!

A beleza não é como um lanche de mortadela do mercadão (tipo quanto maior melhor)!

A beleza é mais como um pequeno brigadeiro com a sua explosão de sabor, um gole de vinho e sua complexidade, ou a suavidade de cerveja numa noite quente.

Como diria o Seu Jorge: Mania de peitão!

juliano machado disse...

não consigo pensar em nada que não seja filosófico o suficiente para perceber que no fundo quero dizer isto: se ela dança eu danço.