segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Da Vontade... Ao Peru

"Espera, que a vontade passa!"
E se esperássemos todas as nossas vontades passarem?!
Talvez não seríamos nem metade do que somos, na verdade acho que não seríamos simplesmente nada... afinal, não são as vontades que nos movem, que nos fazem ir além?!!!
Se eu esperasse minha vontade passar...
Jamais teria ido ao Peru... nunca teria ido sozinha e hoje não poderia dizer com toda a convicção que o Peru é muito mais que Machu Picchu!
Não teria conhecido o deserto de Paracas, em que sua aridez amarela rochosa é beijada em ondas azuis espetaculares do congelante Pacífico! Não teria visto os paredões afundarem no oceano, formando imagens de catedrais e o que mais a imaginação desejar...
Não teria passado por entre a Cordilheira dos Andes, a cadeia montanhosa presente nos livros didáticos desde a nossa infância e que, nós brasileiros, não fazemos idéia do que é este dobramento moderno (nome este que tivemos de aprender nas aulas sobre relevos!), com seus picos nevados e platôs cobertos por gramíneas rasteiras, onde vivem rebanhos de lhamas, alpacas e vicunhas selvagens... as fezes desses animais servem de aquecedor para a população extremamente pobre desta área, acostumada ao frio intenso e ao ar rarefeito, que faz qualquer um chegar ofegante ao terminar de subir sete degraus!
Também não saberia o que é pobreza, mesmo morando no Brasil, fui descobrir o que de fato é pobreza em cidades como Juliaca e Puno, às margens do Lago Titicaca... mãos esticadas a pedirem "una propina señorita", pessoas a satisfazerem suas necessidades em valas no meio de tudo, simplesmente acocorando-se e pronto, tudo resolvido. Cidadezinhas que se assemelham à um grande terreno de obras, em que tudo parece ser provisório ou resto de algo, onde sucatas móveis, queimadoras de óleo, levam as pessoas de um lado para outro, num caos total em que a única regra é buzinar... cidadezinhas que ruiriam com um leve sopro ( e nem precisaria ser do lobo mau, o do porquinho já estaria valendo!)... quase um mês depois, com muito pesar, vi no noticiário meu itinerário arrasado por um terremoto... destruição na mesma proporção da pobreza...
Se eu tivesse desistido da vontade, não teria tocado nos muros incas, tentado passar minhas unhas por entre as frestas que não são frestas, de contornos tão absurdos para pedras tão pesadas, não teria entendido o que é o muro dos incas e o muro dos "incapazes" e o que de fato significa a palavra dominação! Dominação ideológica!
Uhh, demorei a escrever sobre o Peru, pois foi algo tão intenso, que até hoje acredito não ter conseguido digerir tudo, foi muita coisa impressa em minha alma...
E que bom que foi... ainda bem que eu não sou do tipo de pessoa que espera as vontades passarem...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Futuro do Desejo

Ahhh, que saudade!!!!
Tenho saudade de tanta coisa... inclusive daquelas que não vivi! Daquelas que foram passado e daquelas que estão por vir!
Tenho saudade do futuro... daquele que não vai acontecer, de sobrinhos que não terei para tomar conta, nem de bolachinhas de Natal que não sairão do forno... não sei se isto é futuro, uma vez que está fora de qualquer contagem de tempo, quem sabe pode ser um Futuro do Desejo!
Sinto uma saudade imensa do que eu gostaria que fosse, mas que não será. Sei que as coisas serão de uma outra forma, isto é certo, posto que serão por meio de outras possibilidades e por meio dos rodeios que a vida dá... só que este futuro não dá saudade, porque ele simplesmente será.... quem sabe quando virar passado...
A saudade é um sentimento que não dá para explicar muito bem, apenas para sentir, embora o dicionário a defina como uma "recordação ao mesmo tempo triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; pesar pela ausência de alguém que nos é querido". Só um dicionário que nunca sentiu nada, poderia definir saudade como um sentimento suave! Deveria tentar a palavra intenso... pelo menos chegaria um pouquinho mais perto daqueles que dizem "morrer de saudade"... como eu!
Acho que já tive tanta saudade, em especial na época em que eu vivia a um Atlântico de distância, que nunca mais me curei de tanta saudade... e a saudade passou a ser uma instância crônica de meu ser... um ser nostálgico.
Faço questão de deixar claro, que não vivo de saudade, nem de lamentos, mas uso este sentimento como uma habilidade que carrego, de sentir que cada um desses momentos valeram ou valeriam... muitos sorrisos, algumas lágrimas e o som de muitas gargalhadas!
Guardo estes sorrisos de minhas saudades, esta vontade de meu Futuro do Desejo... ahhh, com muita saudade!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Apenas um Breve Comentário!

Queria muito um salário do tamanho do meu sono acumulado!!!
Bem podia ser, jogo de loteria, ganhar milhões de horas de sono!
Por enquanto...
Vou sonhando com meu travesseiro...
Dormindo acordada...
Com piloto automático...
Totalmente em stand by!
Ahh... eu ainda pego aquela cama de jeito!

domingo, 14 de outubro de 2007

Provolone, Abacaxi e Secador

A despretensão dos encontros é que faz deles ótimas festinhas...
Você chega com a cerveja, eu com o amendoim e o abacaxi, outro descola o provolone, o shitake e a geladeira da casa fornece o básico, o alho moído, o molho shoyo, o azeite, a casca da nós moscada e o que mais for... além disso tudo, uma piração total de músicas, do vinil aos aparelhinhos cheios de botões responsáveis por efeitos (um monte de verbos e palavras novas que não guardei!), de músicas bregas à afro-sambas, passando por Roberto Carlos e um montão de gente (quase tudo novidade para mim!)...
E lá se vai a conversa, vai a comilança e também o tempo (com uma hora do dia adiantada)...
De um vô tarado, que disfarçava a revista masculina no meio de Caras, ao sabor absurdo do provolone derretido sobre o abacaxi, regados com o shoyo e azeite... daí o fato de que a vó ficou melhor depois que separou do vô safado e o espeto de shitake, com cebola e tomate, também regados à shoyo, (aliás este totalmente indispensável pela galera da laje) sai que sai da churrasqueira e nem dá tempo de esfriar... isto porque, ficamos sabendo que se alguém acorda outrem com um grito, é como amaldiçoar o coitado que dormia, que além do susto provavelmente perdeu o croc croc do amendoim apimentado, que deixou vestígios laranja em blusas e calças (sim, a galera disfarça, mas limpa a mão na roupa! inclusive eu!)... mas em Bó a maldição do grito não faria nem cosquinha, pois o cara não acorda por nada, nem com a maior gritaria por conta de uma chave esquecida e a mocinha, que foi tentar pular a janela (acho!), ficou presa na laje, porque não subia e nem descia... aliás nesta hora a sobremesa já estava fazendo sua chantagem, afogar a boca cheia dágua... bom, passaram uma cadeira e a moça conseguiu pular a janela e abrir o portão e o rapaz só perguntou "por que não tocou a campanhia?"... nisso vejo passar as bananas e o sorvete de creme (ehhhhh)... e teve um casal que ficou sete anos separados e depois casou novamente, na Igreja e tudo, após fazer o curso de casados para sempre, será?! Assim como o caso das meninas que não fizeram curso nenhum de amigas para sempre, mas conseguiram superar os desentendimentos e terminar a viagem de carona de Fortaleza à BH, mesmo depois de uma ameaçar dar uma galhada na outra ...agora, o que entendi mesmo é que porta que tem muitas cópias da chave, por ter muitos moradores, sofre com o problema de ficar travada, porque um dos inquilinos esqueceu a chave estrela do lado de dentro... o povo parece noiado, principalmente porque vimos que o "serbó" não acorda com nada... acho que nem com o cheirinho da banana quentinha derretendo o sorvete de creme, mesmo sem o toque instigante da canela, mas tá valendo...
E valeu mesmo... valeu tudo... do papo sem pé nem cabeça, pois entretidos em comer e ouvir uma música melhor que a outra, parte da conversa ia ficando pelo ar e na hora de entender, como é que é?!!... ao som cabeça, garimpados em brechós, que segundo o bom fuçador, o lance é comprar os discos que trazem na capa mulheres de polainas e colant... agora a grande novidade da noite, a pura evolução criativa da modernidade: o secador de cabelo como substituto super ultra mega bazuca master eficiente da velha tampa de tapawer para abanar o carvão... quer mais?!!!
Eu bem que quero... próximo final de semana?!!!

sábado, 13 de outubro de 2007

Três Pontinhos

"Você precisa tirar as reticências de sua vida!!!"
não havia me dado conta que utilizo tanto este recurso de pontuação até ouvir tal comentário... e uma vez dito, pontinho de interrogação atrás da orelha... por que será?!!
Num primeiro momento devo admitir que as reticências servem para substituir uma insegurança quanto ao uso da vírgula, até mesmo do ponto e vírgula, que para mim, desprovida de um connhecimento aprimorado das regras gramaticais, tais pontuações assinalam apenas o momento da pausa para a respiração... já o ponto, este não deixa dúvidas... gosto mais do "ponto, na mesma linha..." que o "ponto final" em si!
Num segundo momento, e aqui que a idiossincrasia se faz, a reticência deve materializar um ato falho de minha personalidade momentânea, que prefere deixar as coisas no ar, permitir a possibilidade do retorno, do repensar, da segunda chance, de omitir voluntariamente o que se devia ou podia dizer, de deixar subentendido...
Digo que deve ser um subterfúgio de minha personalidade momentânea, por que na verdade não sou todas estas reticências, apenas me encontro reticente... de forma que o ponto final carrega um caráter dolorido e assim é substituído por tal recurso ou melhor ainda, por exclamações...
Este boicote às vírgulas e aos pontos finais, deve ser obra de meu inconsciente, que deve acreditar que não preciso de mais pausas e tempos... nem conclusões definitivas... deve achar que minhas orações ainda não estão prontas para serem encerradas por pontos finais... orações estas que possuem tantos verbos, mas apenas um sujeito e este deve ser a personificação de minhas reticências...
Fico assim com um longo suspiro e três pontinhos

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Interjeições de Calor.

la puta madre, que calor!!!!
suor escorrendo na nuca... umbigo molhado... blusa grudada no corpo... rabo de cavalo no alto da cabeça... carro fervendo... os quatro vidros abertos... garrafinha dágua vazia... acordar várias vezes no meio da noite... abanador de panfleto... paracetamol três vezes ao dia...
Deus do céu, que calor!!!!
arrancar a calça... deitar no piso frio... enfiar os pés na torneira... se auto-assoprar... parar embaixo do ventilador... entrar no banco e curtir o ar... molhar os pulsos, a nuca, o rosto e o que mais sobrar... querer entrar na geladeira... banho de mangueira... piscina de roupa e tudo...
virgi maria, que calor!!!!
miolo de melancia... salada de fruta... açaí na tigela... sorvete de maracujá... picolé de morango pingando... chupar gelo... suco de limão... comida fria... sushi e sashimi... salada dakota... guaraná numa golada... água de côco ou garapa?! que nada, cerveja e caipirinha!
cararro, que calor!!!!
horário de verão... estar claro depois do trabalho... caminhada no parque... sentar na grama... rede na varanda e por do sol... happy hour... saia curta e vestidinho... costas de fora... poder ir de chinelo... baladinha com bandinha... todo mundo suando... todo mundo dançando... um forró juntinho... um sambinha coladinho... descer do salto e pé no chão... cantar bem alto... brinde de molhar a mão... um beijo gostoso!!!
ahhh cacete, que calor!!!!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Inquestionável Fé... dos que a tem.

"Neste mundo de fome e de guerra,
o Santo da terra tem calo na mão..."



Peço licença para falar de Fé...
Que ninguém se sinta ofendido... o que questionarei não é a fé em si, ou aqueles que a tem... o que me intriga é como a fé surge em alguém?!
Todo o tipo de fé... nos tradicionais santos católicos, seus santinhos, medalhinhas e réplicas das partes do corpo que foram curadas... nos orixás do Candomblé e da Umbanda, que aceitam oferendas de flores e velas, de charutos e pingas... das entidades hindus, ambíguas entre o bem e o mau, entre o feminino e o masculino... nas energias naturais e universais sem contornos definidos... inclusive a fé dos ateus, na forma de certeza que nada há para ter fé...
Não acredito que alguém já nasça com fé... quem sabe uma predisposição ou uma construção cultural?! Uma iniciativa individual ou de cunho coletivo? À partir de que momento uma pessoa passa a ser um fiel de alguma crença?! Seria em algum evento crucial da vida, uma situação extrema de medo, de quase morte ou de felicidade inexplicável?!
Como esta passa a existir dentro de um devoto, que coloca à disposição o seu físico em favor da fé?! Que anda quilómetros ao tempo... sol ou chuva, não importa... que vai de joelhos ou com a cruz nas costas... que se curvam cinco vezes ao dia... aqueles que se auto-flagelam... os que se prostram no chão e perdem perdão?! De onde vem tal sentimento?!
Sentimento que me faz admirar quem o tenha... que nunca estará sozinho ou perdido...pois a fé deve confortar, deve dar alento e uma esperança no meio de tanto caos e injustiças...
Mas se existe fé, por que ainda há injustiças?! Uns com tanto e outros com tão pouco?! Seria a falta da Ética Protestante, em que o trabalho redimi e faz progredir ou os Karmas, em que tudo o que somos hoje depende do que fomos e como agimos em nossas vidas passadas?! Seria por simplesmente pecar demais?!
Uma coisa me é clara, a fé parece existir independente das condições sociais e das inúmeras crenças que existem neste mundo, tão cheio de especificidades e idiossincrasias, de povos e etnias que nem a mesma língua falam, quanto mais suas expressões religiosas seriam as mesmas... em muitos casos as crenças divergem entre si... mas estas contradições e diferenças não parecem abalar a fé daqueles que a tem e a possuem de forma inquestionável...
Apesar de tanta dúvida, não sou totalmente desprovida de fé!
Tenho fé em mim e em você, no que chamamos de Livre Arbítrio e no que podemos fazer acontecer... também no que é capaz de nos surpreender, que sem explicações plausíveis damos o nome de Coincidências, mas acima de tudo... com fé ou sem fé, pois não sei bem ao certo o que isto significa, uma coisa levo comigo... não há acasos...