
você cortou os seus cabelos?!
Foi a tesoura do desejo...
desejo mesmo de mudar!"
Oh desejo doído!
E parece que as mulheres não aprendem!
O cabelo não funciona como as cinzas capazes de fazerem qualquer uma ressurgir com asas de fogo, super ultra reinventadas depois de atingirem o fundo da garrafa de Lambrusco e o fim do pacote de Biz.
Mas não adianta, lá estão na frente do espelho e a razão de todos os problemas só pode ser um: o cabelo! Ao bandido a tesoura, a tinta, a chapinha, a tesoura novamente, um gelzinho, é lógico, algumas luzes para transformar aquela forma decadente em... Mun-Há?!
Bom, com o "ser eterno" aqui, não poderia ter sido diferente! O cabelão no meio das costas, de um enrolado comportado, daqueles que faria Alceu cantar "Morena Tropicana"e ainda querer colocar uma flor, aliás o que chegou a acontecer, mas não das mãos de Valença!
Eis então, o fatídico dia na frente do espelho... mexe de um lado... prende... solta... sacode... todas as frutrações continuam ali e finalmente, o chega disso!
E o "chega disso" só tem um significado: cabelo novo para vida nova! Praticamente um Sansão! Como se todas as forças corressem do novo cabelo para o resto do corpo, ou como se os fios pintados de moreno dourado se ligassem diretamente a estima e a super mulher saísse andando do cabelereiro ao som mental de "Pretty Woman" e a certeza de que algo como Richard Gere estivesse lhe esperando na próxima esquina!
As 3 primeiras semanas tudo fantástico, a partir da quarta, a coisa volta a apertar... todo o vazio continua lá, a ausência pesando mais do que nunca, só que você já não tem mais o querido cabelo comprido para enrolar com os dedos enquanto devaneia! Nem a mesma confiança de quando os sentia passar pelas costas de um lado para o outro, quase como um sussurro de "está tudo bem"!
O que fazer?! Simplesmente esperar...
Até o cabelo chegar onde estava, terá se passado muito tempo e é aí que a terapia capilar funciona! Não é o imediatismo do corte que traz a mudança, mas o esperar para que ele cresça... aproveitar para se reiventar, por em prática promessas engavetadas... ir além do desejo de mudar, correr por tudo que se queira...
E literalmente eu tenho corrido! Agora já consigo percorrer 2 quarteirões inteiros e caminhar um, quem sabe estarei correndo o percurso todo quando o cabelo estiver no meio das costas...
Ah, não sei porque, mas sempre acreditei que o vento ao levar o cabelo para trás, os ajuda a crescer, acho que é por isso que quero correr mais ainda!
3 comentários:
Que bonito isso Ju (pronto, hipocor�stico). Alguma coisa como se reiventar. Sabe o que eu mais gostei nesse texto? � um clich� a coisa de cortar o cabelo, de mudar alguma coisa na apar�ncia f�sica para tentar recompor uma dor emocional e ent�o voc� poderia ter ca�do na vala comum. Mas n�o caiu. Ao contr�rio, al�m de criar belas imagens, e originais como o cabelo passando de l� pra c� nas costas e te contando que est� tudo bem e a id�ia l�dica de que o vento levando o cabelo para tr�s o faz mais r�pido crescer... belos achados, po�ticos. Al�m disso, na estrutura da cr�nica, algo que eu achei fant�stico: a ruptura que o tema deseja (qual seja cortar deliberadamente um imenso cabelo) encontra respaldo na id�ia mesma do texto, quando somos pegos pela bel�ssima conclus�o de que afinal o importante n�o � o imediatismo do ato, mas a paci�ncia de v�-lo crescer (o cabelo) novamente. Muito sens�vel, e al�m, perseverante.
Parab�n.
Juliano Machado seu grandessíssimo BOCÓ!
o anonitouso em questão está apenas enchendo seu saco, por motivos óbvious de amizade fiel à dona do cabelo em questão! nada que uma cerveja não posso resolver!
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