Tai Chi, Yoga, Meditação... todas artes orientais que prometem (e acredito que de fato cumpram o prometido) o encontro entre corpo e mente, entre o que é físico e o que é transcendental. Nada fácil chegar lá!
Tratam-se de movimentos precisos, cadenciados com a respiração perfeita, aquela que enche todo o pulmão... aumentar a capacidade respirtória, aprender a controlar o diafrágma, esvaziar a cabeça, enquanto se está sentado em silêncio, com mais algumas pessoas ao redor!
Será que apenas eu dou aquela abridinha nos olhos, para ver se todo mundo realmente tem os seus fechados? Será que apenas eu tenho uma vontade explosiva de rir? Será que apenas a minha cabeça fica pensando mil coisas insanas e inúteis?!
Segundo alguém muito querido, estas práticas asiáticas significam basicamente uma única coisa: superação! Superar o corpo enrijecido, alcançar o dedão do pé com o cotovelo e ainda manter a respiração ritmada! Superar os ímpetos raivosos do cotidiano e o stress urbano, em que a sociedade do século XXI, vivencia desde o ventre materno! Afinal é muita pressão saber que duas pessoas lhe esperam ansiosas e que já traçaram toda a sua vida para além da Universidade! Ai de você se os decepcionar!
Bom, mas a verdade é que como membro desta sociedade também preciso de um plano B para aliviar a tensão, alguns diriam uma válvula de escape, uma simples catarse! Infelizmente não posso me dar ao luxo de tirar um ano sabático, o que seria perfeito... por em prática o tal do ócio criativo!
Já tentei acumpultura, florais, a Yoga, pintura em camisetas, escultura em cerâmica, mas a bem da verdade é que minha mente continuava lotada de pensamentos à deriva, aparecidos do nada, chocando-se uns com os outros.
Mas hoje, para minha surpresa, o silêncio se instalou, minha cabeça esvaziou! E pasmem, não foi com a acumpultura, nem com aulas de Tai Chi, Meditação ou Yoga, foi simplesmente durante o ato de ralar uma beterraba!
A difícil tarefa de segurar o ralador em cima do potinho e ainda ralar a beterraba que cismava em escapar de minha mão, me levaram a um nível de concentração nunca antes experimentado! Mas, tal técnica só deve ser possível para canhotos estabanados, aquelas pessoas que não compram no Polishop e portanto não possuem um super mega triturador de qualquer coisa ou descordenados crônicos, para quem o simples ato de ralar um legume exige toda a interação entre mente e alma!
Um comentário:
Pois é, se você tivesse um mega triturador da polishop, que é que faria com o tempo ganho? Essa contradição é boa de se pensar. O transe da atividade que você citou é interessante, mas desenvolve duas ordens de problemas: a)cuidado par não fatiar os dedos junto com o legume; b) quantidade de salada que a dieta cerebral exigirá daqui por diante. Não é divertido pensar que o consumo de beterraba faz bem pro cérebro?
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